RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE

Coletivo! Projetos Sustentáveis

Como grupo coletivo procuramos contemplar o significado da palavra sustentabilidade no todo do seu conceito e realizá-lo de forma palpável e prática. Sabemos que para que um empreendimento humano seja considerado sustentável, é preciso que ele seja: ecologicamente correto; economicamente viável; socialmente justo e culturalmente diverso. Ou seja, é preciso olhar para o futuro, prestar atenção no outro e pensar o seu entorno como um pedaço do todo. Se uma das partes não for contemplada, não é sustentável!

Assim começamos a elaborar o nosso projeto, pensando num jardim afetivo e de convívio, não só estético. Um jardim que remetesse às memórias gostosas de nossos avós, com plantas, flores e cheiros e ao mesmo tempo com as conquistas modernas de mobilidade e acessibilidade. Uma mescla, como forma de representar o respeito à vida passada dos mais velhos, que de uma forma ou de outra nos levaram às possibilidades atuais. E também interativa, já que as ervas e temperos foram pensados para serem colhidos e usados pelos moradores do Lar dos Velhinhos.

Como complemento do trabalho coletivo, elaboramos o projeto em conjunto com o artista grafiteiro convidado para executar a fachada da frente adjacente à nossa. A criação dos espaços, sempre levando em conta a do outro, em cores, forma e ideias, desse modo harmonizando o projeto como um todo.

Um projeto de paisagismo elaborado para que seu usuário sinta vontade de observar sua beleza, achar seus segredos e descobrir suas surpresas… Que tenha vontade de ali ficar para se perder em meio a canteiros compostos de diferentes nuances de verde, contemplar o movimento suave das folhas ao ritmo do vento, descansar à sombra de uma árvore frondosa. Ver, sentir e ouvir, aquietar a mente e nutrir a alma.

Assim também foi concebida a fachada, a escolha das cores e os caminhos a serem percorridos. Com materiais modernos, como o Braston drenante reutilizado, e outros afetivos como o ladrilho hidráulico, também de fabricação social e ecologicamente corretos. As cores foram pensadas de forma a harmonizar com o entorno, trazer alegria e ao mesmo tempo delicadeza.

O Interior do Hall seguiu a mesma dinâmica, contar um pouco da história do Lar e, delicadamente, mostrar a força por trás da velhice: uma vida conquistada. Sensibilizar o visitante instigando-o: ao respeito às experiências acumuladas e aos conhecimentos adquiridos, e ao carinho e paciência com as dificuldades que chegam com o passar dos anos.

A ideia final é que os Velhinhos que ali moram ou que venham a viver lá, sintam que as intervenções foram feitas e pensadas para eles, e não para a Mostra. Esta sim apreciada como o caminho sustentável de viabilizar da melhor maneira a reforma.

Foram relacionadas abaixo todas as práticas de sustentabilidade adotadas no desenvolvimento dos projetos da Fachada, do Alpendre e do Hall, bem como sua execução de obra e plantio, para a Mostra + Sustentável . São elas:

  • Destinação do resíduo da obra da Mostra para o reúso da construção da rampa de acesso do casarão. Parte dos entulhos gerados na demolição da edificação serão usados como base e estrutura da construção da nova rampa.
  • Uso de piso drenante e permeável, da marca Braston modelo megadreno, na calçada de toda a extensão da Fachada. Este revestimento será reutilizado de outra Mostra de arquitetura, pois seria descartado pelo evento, mesmo estando em perfeito estado de conservação.
  • Uso de lâmpadas LED em todos os ambientes, Fachada, Alpendre e Hall. As lâmpadas LED (Light Emitting Diode, ou Diodo Emissor de Luz) proporcionam até 80% de economia de energia em comparação com as soluções de iluminação tradicionais e requerem o mínimo de manutenção devido à vida útil extremamente longa. A vida útil é muito superior às suas equivalentes incandescentes ou fluorescentes.
  • Utilização de forro de esteira de bambu para o alpendre, material natural de ciclo de renovação rápido.
  • O novo guarda-corpo para a rampa (que seguirá as normas de acessibilidade) será confeccionado com material de refugo de outras obras dos integrantes do coletivo;
  • As madeiras utilizadas para os assentos e encostos dos bancos externos serão de madeira de demolição;
  • Todos os tijolos utilizados para os canteiros do jardim e base dos bancos serão reaproveitados das paredes demolidas do prédio da mostra;
  • Valorização e utilização do acervo de objetos de arte e mobiliário da Instituição Lar dos Velhinhos, como resgate da memória afetiva, da tradição e cultura dos moradores e funcionários/voluntários locais.
  • Integração com os moradores do Lar, para envolvimento mais afetivo com os mesmos. Serão criados momentos de conversa com parte dos moradores para um estudo junto a eles, de plantas para o jardim e canteiros de hortas, que será deixado como legado. Estas espécies de plantas, de ervas e hortaliças formarão o jardim com a finalidade de valorizar e explorar seus gostos, suas lembranças, sua histórias de vida. Desta forma, os jardins da Fachada criam um lugar afetivo para o Lar.
  • A paginação dos canteiros segue a modulação do piso drenante para evitar desperdício de material;
  • O ladrilho hidraúlico, escolhido para o piso do alpendre, sacadas e patamares da rampa, não utiliza a queima para sua secagem, ele é feito artesanalmente, não polui e não agride o meio ambiente;

 

MEMORIAL DESCRITIVO

Hall

Piso: recuperação do taco original, raspado e com aplicação de resina/cera fosca.

Rodapé: Santa Luzia – encaixe de duas peças de 20cm e 15cm que somadas resultam em um rodapé de 34cm. Cor: original do material, branca.

Teto: forro rebaixado de gesso com padrão saia e blusa de largura de 25cm. Cor: bege claro (Suvinil pg 182 – nó de marinheiro).

Roda teto: gesso de 25cm de altura ao redor de toda a sala. Cor : bege claro (Suvinil pg 182 – nó de marinheiro).

Paredes existentes: aplicação de massa corrida, acrílica e pintura. Tom de couro (Suvinil pg 55 couro).

Parede de fechamento: Gesso acartonado, estruturado com nicho horizontal (3.56 X 2.70m). A parede ficará solta, sem encostar nas paredes laterais e nem no forro acima. Cor: Tom azulado (Suvinil pg 121 – cheiro de mato).

Porta e janelas existentes: será mantido o vidro original e limpo, esquadrias de ferro e massa do vidro pintadas da cor do interior da sala (tom de couro).

Luminárias: Forro – trilhos eletrificado de sobrepor com spots direcionáveis com lâmpada dicróica led. Nicho – fita de led embutida. Um pé de lâmpada (material emprestado retirado depois da obra).

Layout: utilização do mobiliário e peças do acervo do Lar dos Velhinhos.

Paisagismo: um ou dois vasos com plantas adequadas ao ambiente interno.

 

Alpendre

Piso: ladrilho hidráulico de padrão único.

Forro: esteira de bambu trançada com acabamento em madeira. Tom natural do material.

Paredes: aplicação de pintura. Tom de Goiaba (Suvinil pg 53 ou terra roxa ou pg 49 chá de maçã ou pg 43 marrom glacê).

Porta e janelas existentes: será mantido o vidro original, esquadrias de ferro e massa do vidro pintadas da cor do alpendre (tom de goiaba).

Guarda corpo: composto de vasos com plantas e passa mão metálico.

Ferragens: maçaneta modelo London da marca Arouca.

Luminárias: duas pendentes de teto, que conforme disponibilidade do fornecedor serão trocados no final da mostra por outras.

Layout: utilização do mobiliário e peças do acervo do Lar dos Velhinhos.

Paisagismo: De 1 a 3 vasos compondo um grupo com arbustos. Cinco vasos pendurados na lateral direita da viga do telhado com samambaias e avencas.

 

Rampa de acesso

Piso: Duas rampas de 4,5m de comprimento por 1,20 m de largura revestidas com piso Braston fugê de 50 x 50. Dois patamares planos, um de acesso outro de descanso entre uma rampa e outra. Ambas revestidas com ladrilho hidráulico.

Borda lateral: acabamento de cimento rústico, de 10cm de largura, contornando tanto as rampas quanto os patamares.

Guarda corpo e corrimão: metálico.

Paredes laterais: Com acabamento em massa fina e pintadas. Tom escuro da fachada (Suvinil pg canguru).

 

Fachada

Parede externa: será regularizada pontualmente com massa fina extra forte e depois pintada. Tom off white escuro (Suvinil pg lebre).

Sacadas: serão regularizadas pontualmente com massa fina extra forte e depois pintadas. Tom escuro da fachada (Suvinil pg canguru).

Guarda corpo sacadas: serão mantidos os originais com acréscimo de acabamento do passa mão em madeira tipo demolição. A parte metálica será pintada. Tom cinza chumbo.

Piso das sacadas: substituídos por ladrilho hidráulico, conforme disponibilidade do fornecedor.

Portas, janelas e venezianas: serão mantidas as originais e pintadas com tinta esmalte. Tom escuro da fachada (Suvinil pg canguru)

Requadro das janelas: pintados. Tom escuro da fachada (Suvinil pg canguru).

Caibros aparentes: pintados. Tom off white escuro (Suvinil pg lebre).

Luminárias: onze up lights que irão “lavar” a fachada.

 

Calçada

Piso: Calçada com 2.90m de largura por 50m de comprimento, revestidas com piso Braston modelo megadreno de 50 x 50, intercalado com canteiros de paisagismo.

Guia da rua: será mantido o desenho original externo, assegurado pela manutenção da guia original com rebaixos de acessibilidade aonde necessário.

Canteiros: serão rebaixados da altura do piso em 5 cm e recortados conforme a modulação do piso. Não haverá uma contenção, apenas faixas de tijolo de 10 cm de espessura com altura variando conforme o desnível do piso, e comprimentos diversos, sempre no sentido longitudinal da calçada, com intuito estético.

Luminárias: dois canhões iluminando as duas colunas do alpendre, que serão emprestados durante o período da mostra e depois devolvidos. De 5 a 8 spots direcionados para o paisagismo.

Paisagismo: palmeiras, arbustos e forrações adequadas ao ambiente de sombra ou meia sombra, conforme negociação com os fornecedores.

Intervenção artística: escultura metálica produzida por um artista campineiro (está sendo estudada sua viabilidade).

 

Fachada do Grafite

Parede: pintada da cor da fachada lateral e grafitada pelo artista convidado da mostra.

Calçada: será mantido o piso original devido à necessidade de manter o nível de escoamento de água pluvial.

 

Jardim Afetivo (em frente a fachada do grafite)

Piso: piso Braston tipo drenante de 50 x 50, intercalado com pedrisco tamanho 1 rosado.

Guia da rua: será mantido o desenho original externo, assegurado pela manutenção da guia da rua.

Canteiros: formado por caixas de tijolo aparente (com os tijolos de demolição resultantes da reforma do edifício da mostra), com alturas e tamanhos diferentes, conforme projeto anexo.

Mobiliário: bancos recortados dentro dos canteiros de tijolos com acabamento de assento e encosto em madeira.

Intervenção artística: composição de tubos metálicos em forma de campanas tubulares, formando um instrumento musical ao ar livre que poderão ser tocados com a interação das pessoas. Com uso de materiais reciclados (está sendo estudada sua viabilidade).

Paisagismo: palmeiras, arbustos e forrações adequadas ao ambiente de sol e/ou meia sombra, conforme negociação com os fornecedores. Essas plantas devem remeter as memórias afetivas de nossos avós e pessoas já “velhinhas” como as do Lar, que poderão colher temperos, flores, cheiros e chás nos canteiros.

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